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Desde o início da pandemia de Covid-19, cujos primeiros casos surgiram na China no fim de 2019, o mundo se pergunta: será que quem não desenvolve sintomas pode transmitir a doença? Qual a proporção dessas pessoas, chamadas de assintomáticas, entre aqueles que contraem o Sars-CoV-2?

Como já foi dito por inúmeros especialistas, é preciso cautela ao fazer afirmações categóricas sobre a doença. Isso porque cientistas se baseiam em dados e estudos que requerem tempo para serem realizados e avaliados.

Não podemos esquecer que o Sars-CoV-2 é um vírus novo; cientistas vêm se debruçando sobre ele há cerca de apenas seis meses. Por mais que a tecnologia atual permita que se encurte o tempo da ciência, o método científico exige etapas que não podem ser muito abreviadas, sob o risco de cometermos erros graves. Assim, até o momento, temos mais perguntas do que respostas acerca do comportamento do vírus Sars-CoV-2.

 ASSINTOMÁTICOS, PRÉ-SINTOMÁTICOS E SINTOMÁTICOS

Sabemos que a Covid-19 pode se manifestar de várias formas. Alguns pacientes contraem o vírus e não sentem nada, outros têm sintomas leves e alguns desenvolvem a forma mais grave da doença, que pode levar à morte. Os fatores relacionados a quadros tão distintos ainda não estão totalmente esclarecidos, embora já se saiba que pessoas com comorbidades como diabetes e doenças cardíacas, com idade superior a 60 anos, com IMC maior que 30 e imunussuprimidos tenham risco aumentado de desenvolver sintomas mais graves.

Para entender como o vírus pode afetar as pessoas de maneiras diferentes, é preciso separar os pacientes em três grupos:

  1. Assintomáticos: A pessoa contrai o vírus, mas não desenvolve nenhum sintoma de Covid-19. Em geral, ela só sabe que contraiu o Sars-CoV-2 se realizar o exame que detecta a presença do vírus ou de anticorpos no organismo.
  2. Pré-sintomáticos: São considerados pré-sintomáticos os pacientes que se encontram na fase anterior ao surgimento dos sintomas (período de incubação), quando o vírus já circula no organismo, mas a pessoa não apresenta nenhum sinal de Covid-19.
  3. Sintomáticos: Todos aqueles que desenvolvem sintomas, que podem ser leves, moderados ou graves.

Essa distinção é importante, pois todos os pacientes podem transmitir o vírus, embora os assintomáticos tenham um risco bem menor de contaminar outras pessoas. “A recomendação de que todas as pessoas usassem máscara surgiu a partir de estudos que demonstraram que assintomáticos e pré-sintomáticos podem transmitir o vírus. O Sars-CoV-2 fica no nariz e na garganta, por isso o uso de máscara por todos é importante”, explica Laura de Freitas, farmacêutica-bioquímica e doutora em microbiologia.

Também é muito difícil saber quem é assintomático de fato e quem apenas ainda não apresentou sintomas. Os pacientes pré-sintomáticos podem disseminar o vírus sem sequer saber que estão contaminados.

Além disso, alguns pacientes têm sintomas tão leves, como cansaço, que sequer os identificam como sinal da doença.

Saber qual a porcentagem de assintomáticos entre aqueles que contraem o Sars-CoV-2 é outro desafio. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano avaliou estudos publicados entre o começo de janeiro e abril de 2020 e, a partir do risco de transmissão de assintomáticos e pré-sintomáticos, passou a recomendar intervenções comunitárias para reduzir a transmissão, como isolamento social e distanciamento físico, uso de máscaras e testagem massiva dos indivíduos.

Mariana Varella é editora do Portal Drauzio Varella. Formada em Ciências Sociais pela USP, atua na área de jornalismo de saúde, com foco em saúde da mulher. @marivarella


 

 

 

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