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» » » » Coronavírus: quarentena de 1,3 bilhão de pessoas na Índia se torna crise humanitária

Empregos e salários despencaram depois que a Índia adotou uma quarentena de 21 dias para tentar conter o avanço da pandemia de coronavírus. O país de 1,3 bilhão de habitantes registrou até agora 1.251 pessoas infectadas com coronavírus e 32 mortes.

Sem transporte público, ele viajou a pé no asfalto sob o sol quente, à base de biscoito e água. "Eu andei durante o dia e durante a noite. Qual seria a alternativa? Eu tinha pouco dinheiro e quase nenhuma comida", me contou Meena. Ele não estava sozinho. Por toda a Índia, milhões de trabalhadores migrantes estão voltando a pé para suas casas depois que as cidades onde atuavam se fecharam.

Esses profissionais informais são a espinha dorsal da economia das grandes cidades, ao construírem casas, cozinharem refeições, entregarem marmitas, cortarem os cabelos em salões, produzirem carros e limparem banheiros, entre outras atividades. Em fuga da pobreza de suas pequenas vilas, mais de 100 milhões de pessoas vivem em moradias precárias em guetos urbanos superpopulosos, enquanto aspiram pela ascensão social.

A quarentena, anunciada com quatro horas de antecedência, transformou milhões deles em refugiados, da noite para o dia. Seus postos de trabalho foram suspensos, e a maioria daqueles que os pagam sumiram.

Homens, mulheres e crianças começaram suas jornadas em diversas horas desde o dia 24. Eles carregam seus poucos pertences, como comidas, água e roupas, em sacos de pano. Jovens levam suas mochilas esfarrapadas, e crianças são carregadas nos ombros quando estão cansadas demais para andar.

Eles andam tanto de dia quanto de noite. A maioria afirma ter ficado sem dinheiro e teme enfrentar a fome. "A Índia estão caminhando de volta para casa", resumiu o jornal The Indian Express.

O êxodo impressionante remete à fuga de refugiados durante a sangrenta secessão em 1947, quando a Índia, ex-colônia britânica, foi repartida. Quase 15 milhões de refugiados em situação precária viajaram para o Paquistão, que se tornou independente naquele ano.


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