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» » O Regime Escravocrata em Pernambuco

José Roberto Pereira

Quando Duarte Coelho Pereira recebeu a Capitania Hereditária suas terras começavam na divisa de Itamaracá-PE indo até a foz do Rio São Francisco-AL. Para o Oeste ia até o limite do Tratado das Tordesilhas. Com certeza Duarte Coelho colocou todo o seu capital e empenho familiar para o desenvolvimento da sua capitania. Enquanto os demais donatários depredavam suas capitanias vendendo nosso Pau Brasil, ouro e diamantes o Duarte Coelho transformou Pernambuco, partindo para a plantação de cana na produção do açúcar.

Em 1584 o Cabo de Santo Agostinho, ao longo do Rio Pirapama, já possuía grandes engenhos, sendo na época, o Cabo o maior exportador de açúcar no mundo. Foi Duarte Coelho quem trouxe para Pernambuco a cana de açúcar, a manga, o abacate, a jaca, e outras frutas e especiarias. Precisava de mão de obra e solicitou ao Rei de Portugal a importação de 24 escravos por ano vindos da Guiné, autorização concedida pelo Rei D. João III, sendo nosso Pernambuco a primeira região do Brasil a receber os negros cativos, isto em 1535.
Em carta para Portugal, já afirmava Pe. Anchieta em 1584:
Na dita Capitania de Pernambuco há muitas fazendas e alguns 60 ou mais engenhos de açúcar a três, quatro e oito léguas por terra, cada um dos quais é uma boa povoação com muita gente branca, negros da Guiné e índios da terra.”

Foi o Duarte Coelho que trouxe o gado criolo da Ilha da Madeira, via São Francisco e o levou para o sertão Pernambucano e Piauí. Com a morte do Duarte Coelho, quem tocou a capitania foi sua esposa, Dona Mirtes e seu cunhado Jerônimo de Albuquerque Maranhão (o sobrenome Maranhão foi anexado ao nome devido o Jerônimo ter conquistado aquela região).
Vamos analisar a diferença da cultura escravocrata entre o litoral, agreste e sertão pernambucanos.
       No litoral o senhor de engenho era perverso na compra dos escravos, ou seja, dividia as famílias, comprava por peças, filhos eram apartados das mães numa desumanidade total. No litoral só os escravos pertencentes aos jesuítas e beneditinos eram bem tratados.
       No sertão e agreste a situação era bem diferente. Geralmente o comerciante rico tinha seu comércio em Recife no térreo, morava no 1º andar e muitos deles possuíam grandes glebas de terras no sertão. Para produzir e criar gado o referido comerciante precisava de mão de obra escrava, com algumas diferenças em relação ao senhor de engenho. Vamos aos pontos:
1)      O comerciante/fazendeiro comprava a família completa de escravos. Não dividia a unidade familiar.
2)      O acerto do comerciante com a família escrava era o seguinte: a cada quatro bezerros nascidos, o escravo ficava com um. Assim, também com cabras e ovelhas, permitindo plantar roças, principalmente mandioca.
3)      Com esta situação, grande parte dos escravos sertanejos comprava sua liberdade e ficava morando na própria fazenda.
4)      Não havia senzalas no sertão, as famílias moravam em mocambos (casa de taipa) e permanecia a unidade familiar.
5)      Muitos dos ex-escravos prosperaram, ficaram ricos e para casar suas filhas enviavam procuradores para Portugal a fim de trazer um genro branco e pobre.

O racismo no Brasil não é só do branco contra o negro. No Quilombo dos Palmares havia escravos, inclusive caboclos e mamelucos. Na própria África quem vendiam os negros eram os próprios negros apreendidos em guerras tribais. O negro rico dificilmente procurava uma companheira da mesma raça, veja o exemplo dos nossos jogadores de futebol, os quais sempre casam com brancas, principalmente loiras.

No Brasil há uma hipocrisia tremenda com relação ao tratamento dispensado aos negros. Por exemplo, existe apenas uma vaga de executivo numa grande empresa, com as mesmas qualidades profissionais. Quem o patrão emprega? o negro ou o branco?

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