COLUNA ENSAIO GERAL: O PISTOLEIRO


O Coronel José Abílio líder político mais famoso de nossa terra, como não poderia deixar de ser, tinha seus capangas, para executar as suas ordens. O meu tio Gervásio Pires foi o seu principal adversário, tinha temperamento totalmente diferente do Coronel.

O Coronel usava a força para alcançar o seu objetivo e meu tio usava as palavras. Pois bem, tinha na calçada da Assembleia Legislativa do estado de Pernambuco tinha um grupo de ENGRAXATES, e meu tio como deputado tinha seu engraxate favorito, e fez com ele uma grande amizade.

Este engraxate vivia pedindo ao meu tio que levasse ele para conhecer nossa cidade - tanto ele pediu - que meu tio trouxe o engraxate para passar uns dias em sua casa, que ficava localizada na Rua 7 de Setembro aonde hoje é o escritório de Dr. Renato Curvelo.

A casa tinha uma varanda com um pequeno muro vasado, que as pessoas se debruçavam sobre ele para olhar o movimento, este era o lugar que o engraxate ficava quase todo dia. O cidadão era baixinho, cor branca, franzino e usava um chapéu de aba pequena. Logo surgiu a história que meu tio tinha trazido um pistoleiro do sertão, homem brabo com muitas mortes nas costas, se desse um tiro no olho e pegasse na pestana para ele tinha perdido o tiro. Os mais fofoqueiros diziam que só ele, valia por 10 dos homens do Coronel. A história chegou aos ouvidos do Coronel, que ficou impaciente.

A loja do meu avô seu José Correntão (irmão do deputado Gervásio Pires) ficava na calçada da casa do Coronel, que toda vez que tinha de passar por ela entrava e dava um dedo de prosa com meu avô, mesmo eles sendo adversários políticos, mantinha um bom relacionamento, o curioso era que o Coronel chamava meu avô de BRIZOLA. O Coronel como quem não quer nada entrou na loja e iniciou uma conversa, e no final indagou se era verdade que Gervásio tinha trazido um amarelo franzino, pistoleiro fino do sertão – para melhor compreender a questão, devo explicar ao leitor - que uma parte de nossa família os “Pires”, tem origem nas cidades de Tabira e Afogado da Ingazeira, e lá eles sempre foram muito forte politicamente e na valentia.

Meu avô deu uma bela gargalhada e disse ao Coronel que não era nada disso, pois, meu tio não era homem de andar com pistoleiro, o cidadão que estava na casa dele era o engraxate dele na Assembleia legislativa. Vejam meus leitores, o todo poderoso CORONEL JOSÉ ABÍLIO que sempre tinha por trás de si um monte de capangas, pintando e bordando em nossa cidade, se cagando de medo de um simples ENGRAXATE ah ah ah ah.

COLUNA ENSAIO GERAL: O PISTOLEIRO COLUNA ENSAIO GERAL: O PISTOLEIRO Reviewed by Josenildo Batista on segunda-feira, abril 09, 2018 Rating: 5

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