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Em plena seca, famílias de Pernambuco mantêm plantação verde com 'bioágua'


No Sertão de Pernambuco, Manoel e Maria Gercília produzem acerola, goiaba, banana, pinha e romã apesar dos quase cinco anos de estiagem na região. A família, que reside na comunidade de Sítio Santa Fé, na Zona Rural de Santa Filomena, uma das 36 cidades pernambucanas em estado de emergência pela seca, tem conseguido manter o verde da plantação graças ao sistema de 'bioágua', uma tecnologia que reaproveita as 'águas cinzas', usadas no chuveiro e na pia da cozinha, para a irrigação de plantas frutíferas e hortaliças.

Maria Gercília Alves da Silva tem 56 anos e há 33 anos é casada com Manoel Pereira Barros, de 58 anos, mais conhecido como 'Nequinho', com quem teve oito filhos. Há dois anos, a propriedade do casal em Santa Filomena recebeu da ONG Caatinga um bioágua familiar. O sistema possibilita o reúso da água através de um processo de filtragem.

A partir do sistema, 130 litros de água gastos em média pela família passaram a ser levados para irrigar a plantação. “Antes, a gente estava comprando água, e uma carrada de água estava R$70. Não tinha condição de comprar para molhar as plantas. Nós tínhamos uma plantação de banana que se acabou. Agora, ficaram só as outras plantas, as goiabeiras, acerola, graviola e pinha, e nós sustentamos essas plantas com a água do bioágua”, conta a agricultora.

Segundo Manoel, é o sistema que mantém a plantação viva.
Começou em 2014. Eu achava difícil, mas depois de montado, eu vi que era mais fácil. O biágua é uma ajuda boa, conseguimos plantar umas goiabas, pinha, romã e acerola. A gente vende e dá uma renda. Se não fosse o biágua, não sei como a gente estava passando com essa seca

O sistema do biógua funciona de forma simples: a água que é utilizada pela família no banheiro e na pia da cozinha é canalizada para uma caixa de coleta de gordura. Em seguida, a água da caixa é direcionada para um cano em formato de 'garfo'. A sujeira é decantada, e a água goteja em um primeiro filtro com um metro de profundidade e um metro e meio de diâmetro. O filtro possui cinco camadas de materiais diferentes :pedras, cascalho de pedras, areia, pó de serra, húmus de minhoca e carvão. Depois de filtrada, a água segue para o segundo tanque, que tem um motor que bombeia o líquido para as mangueiras que irrigam a plantação.

Já foram instalados 20 bióguas no Sertão do Araripe. De acordo com a técnica de campo da ONG Caatinga, Kátia Rejane Holanda Lopes, a tecnologia foi trazida para a região através de um intercâmbio com o projeto Dom Helder Camara, no Rio Grande do Norte. “Em 2012, a ONG Caatinga reuniu um grupo de famílias de agricultores e levou para o Rio Grande do Norte, que já tinha a tecnologia implantada, para conhecer e aprender a fazer o sistema. Na volta da viagem, foram construídos dez bioáguas em várias comunidades. [Instalamos] mais dez em um projeto que a gente trabalhou com jovens”, explica.



A implantação de um biógua familiar custa em torno de R$5 mil. Segundo a técnica de campo, é uma tecnologia relativamente barata. A ONG faz a captação de recursos através de editais de projetos.

Durante o período da seca, muitas famílias deixam de produzir porque não tem água. O bioágua dá condição de que elas aproveitem a água que naturalmente elas já usariam 

A expectativa é que agora seja adaptado um grande bioágua na Escola Rural Ouricuri , e que 414 alunos possam se beneficiar com as hortaliças irrigadas pela água do sistema. A implantação já aconteceu em 2015, mas o equipamento precisou de mudanças por causa da grande produção de água do local.
Nós usamos por uns seis meses, mas começou a surgir problema por por conta da produção de água excedente. Agora, a gente está repensando [o sistema] com a ONG Caatinga para que ele volte a funcionar
relata a gestora da escola, Ana Paula da Silva.
Quando se fala em tecnologia, as pessoas pensam em celular, em computador, mas essa é uma tecnologia de captação, tratamento e reúso de água cinzas
explica o professor Joseilton Texeira Salviano, que participa da implantação do bioágua.
São produzidos em torno de 300 litros de água por dia. A caixa [de gordura do sistema] não comportava essa produção, então a gente quebrou e desativou para fazer adaptações
Ele defende que a tecnologia é viável para o semiárido nordestino.
Nós moramos em uma região em que a precipitação é muito abaixo da média nacional. Aqui chove entre 600 e 900 milímetros quando é um ano bom. E como isso não vem acontecendo na nossa região, reaproveitar qualquer água que você tem é viável. E ainda a gente utiliza para produzir hortaliças que podem ser usadas na alimentação das crianças. É importante fazer que toda a família tenha uma estrutura dessa em sua casa.
Em plena seca, famílias de Pernambuco mantêm plantação verde com 'bioágua' Em plena seca, famílias de Pernambuco mantêm plantação verde com 'bioágua' Reviewed by Josenildo Batista on maio 02, 2017 Rating: 5

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